21 de agosto de 2010

(s/ título)


Caminhava pelo passeio que beirava uma estrada preta e onde, sentado no lancil, um pequeno chorava.

«Por que choras?» 
Olhou-me rosto molhado. 
«Por causa da confusão.» 
«Que confusão?» 
«Se a pudesse dizer não era confusão.» 
Continuou a verter lágrimas e eu prossegui passeio fora. 

(Há que saber abandonar).

3 comentários:

Tiago r disse...

(old stuff)

Anónimo disse...

Podíamos também escutá-lo e não dizer nada. Como diria Miguel Torga o verdadeiro acto de entendimento é compreender aquilo que nos é oposto.

Tiago r disse...

Verdade, Anónimo. Mas à ideia em questão subjaz um auto-desprendimento, ou auto-abandono. Uma troca, de uma coisa por outra melhor: o sujeito que soube libertar-se de si, deixando-se para trás.

(Convido os comentadores a deixarem um nome. A virtualidade é já em si suficientemente estéril... Mas claro que é opcional.)