Maldoror
domingo, 1 de Novembro de 2009
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
"Gaia is wet and sick"
Crime's the other side of what's right Baba lives on the wrong side of the earth On a plain flat planet I would've been white Nobleman by name aristocrat by birth Selling shades on the beach my daily routine Matches the irony of your Western magazine Papayabananacakecoconutjuice! Baby with the basket pushes fruits and news White man came across the sea To change my under-developed diaper White man came across to me To wipe my ass with tabloid paper I'm a passionate man help me first Ease my hunger quench my thirst Can you see yourself devoured I'll do anything to stay empowered Part of him feels like some new kind of Noah But all he can carry is some hectograms of Goa Big Mother Ocean shut the stereo down He travelled to listen not to see On Arambol Beach his guitar will soon sound When the last black man's crossed the sea His earth turned flat his passport photo black Backpacker Baba's never coming back
taken from Neonism album
domingo, 20 de Setembro de 2009
Em análise: nota sobre a Tolerância
«[...] o dano causado pelos bons, é o mais prejudicial dos danos.»
(F. Nietzsche, Ecce Homo, Porque Sou Um Destino, 4, Ed. 70)
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Corto Maltese

― Então, então, Corto, és mesmo tu quem fala assim? Croack... croack... Que importa o que dizem os outros? Croack... croack...
«Sonho de Uma Manhã de Meados de Inverno», Corto Maltese, As Célticas, Hugo Pratt
[...] segundo a lenda, Merlim foi encerrado por Viviana nas profundezas da floresta da Brocelândia: de vez em quando, Viviana permite-lhe sair para acudir os filhos dos celtas oprimidos e em perigo. Sim, algures, na misteriosa ilha de Avalon, o rei Artur jaz adormecido, velado pela sua irmã, a fada Morgana: um dia despertará para reunir o que resta dos celtas em todo o mundo, a fim de reconstruir o grande reino com que sonhara, reino de justiça, de fraternidade, de liberdade, reino que não existe mas que há-de vir. E Corto Maltese não é outro senão o profeta anunciador de Merlim e de Artur.
Do Prefácio de Jean Markale a Corto Maltese, As Céltica, de Hugo Pratt
segunda-feira, 20 de Julho de 2009
Explica o Diabo:
Pensamos, em geral, em termos da nossa sensibilidade, e por isso tudo se nos volve num problema do bem e do mal; há muito que eu mesmo sofro grandes calúnias por causa dessa interpretação. Parece não ter ainda ocorrido a ninguém que as relações entre as coisas ― supondo que haja coisas e relações ― são complicadas demais para que algum deus ou diabo as explique [...].
sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Piratas na Cinemateca
Yo ho ho and a bottle of rum!
terça-feira, 7 de Julho de 2009
sábado, 4 de Julho de 2009
domingo, 21 de Junho de 2009
dia zangado ou
porquê→?!
Tu! por que insistes em desistir de Ti se até tens com que valer, por que foges para o sonho se a Realidade é o Sonho, Tu camaleão do potencial variegado, por que te surges só monocromo, por que te resumes a embarcação unirreme de movimento circular sobre o eixo paralítico de um círculo autotelicamente irrisório e tonto em águas estagnadas e paisagem em 360º de tontaria redonda e obtusa, por que te desfazes nisso e só andas pelo país a apreciar as sáfias rectas alcatroadas?, Tu que temes as curvas não-das-estradas, que sentes vertigens não-dos-sítios-altos, mas que és efectivamente mais alto que os sítios altos, mais sinuoso que todas as curvas de todas as estradas, que tens em Ti a profundidade do pélago, a voracidade do lobo, a sageza do ofídio, diz-me Tu então!, por que te desprezas em cordeiro cagado pelo carreiro fora?!
E diz-me Tu, por que os deixas cagarem-se assim em inúteis caganitas pelo carreiro dos demais — diz-me porquê, diz-me Tu,
anno 2007
sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Notas sobre o Homem
Eu pensava que Deus era a pior invenção dos homens, mas não: os homens são ainda a pior invenção de Deus.
quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Da Rejeição da Cegueira ou: Dali até Aqui
Mora na infantilidade
Do seu ser grande.
Ser é-lhe uma futilidade,
Que da sua prisão nada se expande.
Não reconhece a vida.
Conhece-lhe só a confusão.
Sabe que a odeia (e lhe é querida),
E lhe vive o indizível, emotivo turbilhão.
«Raios! Livre é o ser invisível
Da inexistência ― nenhum!
Só esse é crível...
Porra pra esta merda, quero ser um!»
Mas um dia, ao crescer,
Veio a dizer em razão:
«Hei-de quando for grande
Ser luz do Sol
E iluminar o que escureci.»
domingo, 7 de Junho de 2009
terça-feira, 26 de Maio de 2009
Do amor...
Quero penetrar-te o ânus,
Ouvir-nos ao tom gemebundo
Do fogo que faz girar o mundo,
Entre nossos sôfregos abanos.
Quero pôr-to na boca,
Sentir-ta assim cheia,
Em tua língua de geleia,
Qual fero animal em doce toca.
Quero habitar-te a vagina,
Que é como ter-te toda,
Não apenas mera foda:
Coisa bem mais dina.
anno 2005
sexta-feira, 22 de Maio de 2009
E se depois
E se depois O sangue ainda correr Corre atrás dele
E se depois O fogo te perseguir Aquece-te nele
E se depois O desejo persistir Consome-te nele
E se depois O sangue ainda correr Corre atrás dele
E se depois
quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Para uma possível desmistificação...
«Eu sou de facto o Diabo», que faz a vez do título deste blogue, foi recuperado d' A Hora do Diabo, de Fernando Pessoa, e auto-sugere-se, aqui, como metáfora de contradição ao estabelecido.
A Filosofia, a Literatura e a Arte, farão os meios. No compromise still!
"...and come again!"

quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Os olhos
Da imitação decadente
Imitamo-nos, e re-imitamo-nos, uns aos outros estupidamente (o que se faz bem, em pouco ou nada é imitado, os bons são desprezados, o herói ignorado), num mimetismo ridículo e decadente centrado em núcleos culturais baixos cujas delimitações nos cingem a amplitude da vera inteligência, do espírito solto. Ao que chamamos de inteligência só damos uso, portanto, em parte, e num sentido prático-competitivo; e se esta parte única a que damos uso serve só para imitar, não a usamos de todo.
Sê refractário.
terça-feira, 12 de Maio de 2009
Em análise: Autoria vs Genitura
A função do homem, enquanto homem, não é procriar. Esta é a função do animal, do homem enquanto animal. A função do homem enquanto homem (partindo do princípio que terá uma função), é a de criar (o que quer que seja). E se o homem é homem para além de animal, então esse é o seu predicado. O desejo de procriar advém de instintos básicos naturais. Desejar só isto, é ser só metade: o ser humano não se traduz só em instintos básicos. Quem se fica pela metade, julgando que se está a realizar enquanto indivíduo, parece-me a mim que tão-só se descura e trai. Não acredito que a procriação conceda verdadeira auto-realização. Que realizaram, é tudo com que poderei concordar. Mesmo apesar de todo o milagre inerente a dar à luz (mãe) ou a quem preside (pai).
Esta inclinação teórica que aqui exponho deve-se, também, ao facto de me parecer que aquele que nasce se torna, a meu ver, mal nasça, demasiado independente; de uma vida própria tão própria que me parece um pouco imaturo e fantasioso (ainda que o compreenda enquanto potencial pai, embora, enquanto tal, o não alimente) que o genitor se sinta auto-realizado por o ter tido, uma vez que, do meu prisma, é como se não fosse obra sua. Como se a obra, embora criada por intervenção de outrem, fosse, ainda assim, dela mesma; no sentido em que cada um é tão seu quanto a sua consciência lho permite (haverá casos que contrariarão isto, não para aqui chamados, porém); tão potencialmente independentes, que não terão de dar, sequer, satisfações por existirem. Porque o filho tem a liberdade de se desvincular moralmente dos respectivos genitores.
Esta sintomia em nada pretende anular o sentimento de amor, de orgulho, mesmo de pertença que se sinta por aquele a quem se deu vida ― milagre provavelmente magnífico, repito ―, nem vice-versa. Eu, que já sonhei que era pai, que tinha a minha filha nas mãos, havia água e sol, e ela, com uns mesitos apenas, brilhava tanto que eu não sei se a luz vinha do sol, se dela. Mas, apesar da indissociável ligação (se se criarem laços, está claro, ou pelo menos biológica), o filho não pertence aos genitores. Logo que nasce, existe demasiado por si. Há uma ligação (subaquática) entre o continente e a ilha, no entanto a ilha está isolada. O ser humano será sempre un(it)ário. O reconhecimento, a consanguinidade, são meras aproximações: o que nos liga verdadeiramente ao outro, mais que tudo, é a imaginação, essa forma de nos repensarmos.
Já as obras do criador, terão sempre mais dificuldade, senão impossibilidade, de existirem, logo que concebidas, sem aquele: comparativamente. Mesmo depois de lhe sobreviverem. Posso conhecer indivíduo tal, gostar dele, e pouco ou nada me interessar a respectiva genitura ou progénie. Quanto às obras criadas pelo ser-criador, não há quem não tenha sempre uma maior curiosidade relativamente à autoria. A par de que o criador estará sempre no seu pleno direito de reclamá-las suas, que elas nunca lho hão-de negar.
É claro que haverá imensas teorias possíveis quanto à autoria e à obra, por quanto haja de autores que possam achar-se distantes da sua criação. Mas há que discernir que aqui se faz a comparação-distinção entre «autoria» e «genitura» com o fim único de atentar na diferença entre ambas as noções em relação com os vínculos subjacentes a cada uma. Do que concluo: só à obra criada criativamente (seja qual for) poderá sobrevir auto-realização. E, contra um possível argumento: nunca a prole humana ― apartando-nos, desde já, de todo e qualquer argumento poético-sentimentalista ― poderá ser considerada do ponto de vista criativo, senão do da realização natural (mesmo tendo em conta todo o milagre subjectivamente inerente à mesma).
O homem, a mulher, precisarão bem mais da sua obra ― isto é, como indivíduos, como potências ― do que precisarão dos seus filhos (ainda que, de um ponto de vista culturalmente afectivo e naturalmente biológico, estes lhes sejam, de longe, mais importantes).
Dediquei-me, aqui, ainda que concisamente, a uma análise tentativamente abnegada, relegando-me do pressuposto dos laços afectivos, de forma a aproximar-me melhor do que importa: o indivíduo em si, partindo do princípio de que, em circunstância alguma, um ser, enquanto indivíduo, não deve, do ponto de vista ético e deontológico, submeter-se a um outro por detrimento próprio.
domingo, 3 de Maio de 2009
Sou de facto o Diabo
«Mas o senhor vira tudo do avesso...»
«É o meu dever, minha senhora. Não sou, como disse Goethe, o espírito que nega, mas o espírito que contraria.»
F. Pessoa, A Hora do Diabo, Assírio & Alvim
segunda-feira, 27 de Abril de 2009
The Ghost Song
Shake dreams from your hair
My pretty child, my sweet one.
Choose the day and choose the sign of your day
The day's divinity
First thing you see.
A vast radiant beach in a cool jeweled moon
Couples naked race down by its quiet side
And we laugh like soft, mad children
Smug in the wooly cotton brains of infancy
The music and voices are all around us.
Choose they croon the Ancient Ones
The time has come again
Choose now, they croon
Beneath the moon
Beside an ancient lake
Enter again the sweet forest
Enter the hot dream
Come with us
Everything is broken up and dances.
domingo, 26 de Abril de 2009
Da luz umbrífera
O ser humano é um projeccionista. Está constantemente empenhado em projectar a luz da sua capacidade de análise sobre os outros e as coisas. O que ele ignora é que, a maior parte das vezes, muito possivelmente, a luz que faz incidir sobre determinado objecto só cria sombras.
segunda-feira, 20 de Abril de 2009
4 Artistas Vivos: Divulgação
Tiago Baptista
(Prémio Fidelidade Mundial Jovens Pintores 2009)
Sem título, 2009

"Possessão", 2009
Sem título, 2009
Tinta-da-China sobre papel
sexta-feira, 17 de Abril de 2009
imagina
fazia Save
quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Lucifer, bringer of Light
Lúcifer (à parte todas as hipóteses em redor da palavra, mas entenda-se a típica), querubim com elevado sentido das coisas, foi expulso do Céu por as coisas não andarem muito bem por lá; foi expulso porque era um delator refractário, coisa que nunca agradou aos orgulhosos tiranos.Mas o meu espírito inquieto e crítico nutre mesmo a suspeita de que Lúcifer não foi expulso mas antes se foi embora de livre vontade, tendo sido posteriormente trocadas as voltas às coisas por meio de homens dolosamente inspirados. Os homens sempre trocaram as voltas às coisas.
"i have given my head to the service of art...art is an anagram for rat...a rodent...a misfit...a stigma to man. the artist is a stigma to god...outside all dead ends...the true nigger―made for the plague.
[...]
"i felt a bound w/ this rude offender―as the neo artist is the ultimate criminal who rapes and reveals and redefines space...no longer will the artist serve under popes and kings...sculptors exhault in the new rock of ages...the art emerging from the boundless scope of rock n roll needs no other patron than people. the neo artist―the nigger of the universe―rises thru people...is an extension of the people... [...] our work is the heart beat of the future."
taken from:
quarta-feira, 15 de Abril de 2009
Da Moral Cristã (haverá outra?)
Não existe uma Moral (espécie de entidade com direito a letra maiúscula e tudo) como existem postes de iluminação na rua a iluminar-nos o caminho. A moral não é intrínseca ao homem como a natureza (que é só natural); foi adquirida depois. É algo de que se ganhou noção, historicamente, e de que nos apropriámos e nos apropriamos conforme nos foi e nos vai dando jeito.
O conceito de Moral é egológico. E não serão as acções do Ego senão ferozes manifestações dos nossos medos?...
«[...]
Frederich Nietzsche, O Crepúsculo dos Ídolos, A Moral como Contra-Natureza, Tradução: Artur Morão, Edições 70








